28 de jul de 2016

Doenças mais comuns em cada raça de cachorro (e a crueldade por trás dos cruzamentos)

Por conta do focinho “achatado”, os pugs apresentam muitos problemas respiratórios que, com o passar do tempo, podem resultar em doenças cardíacas. A cauda em espiral que tanto agrada os compradores é um defeito genético que nas formas mais graves pode levar a paralisia.| Foto: Pixabay
    Já se perguntou como existem tantas raças diferentes de cachorro sendo que todos são da mesma espécie (Canis lupus)?
    Existe uma coisa chamada cruzamento seletivo, em que os criadores decidem que características eles querem que se destaque no cachorro e escolhem a dedo quais animais possuem essa característica mais acentuada e vão cruzando esses cães uns com os outros para que os filhotes mantenham essa característica, e a cada geração ela vá se acentuando até que todos os filhotes sempre nasçam iguais. Para isso, eles cruzam animais geneticamente próximos (cruzamento endogâmico), "da mesma família", o que diminui a variabilidade genética deles. Ou seja, os mesmos genes são passados de um para o outro, e se um animal tem um defeito genético (como um problema pulmonar congênito, por exemplo) todos os animais descendentes dele terão esse problema, porque não há variabilidade genética (genes diferentes que não têm esse defeito) que possam poupar o filhote de ter a mesma doença. 
   É mais ou menos aquela história que te contavam quando criança que se primos tiverem um filho, ele nasceria com "defeito". Pensa assim: uma doença recessiva para ser expressa na pessoa precisa ser herdada do pai e da mãe (dois genes que expressam o defeito genético), se apenas a mãe passar o gene com essa doença recessiva e o pai passar um gene sem a doença, a criança nasce sem o defeito genético expresso, mas carrega no sangue a "informação" da doença (um gene com o "defeito"), que só vai se manifestar em seu filho se o seu parceiro por sua vez também carregar essa informação (tornando assim novamente dois genes que ai sim farão a criança ter o problema). 
   Doenças recessivas são raras justamente por isso, é difícil você encontrar duas pessoas com a mesma informação genética "defeituosa" que terão um filho junto; porém, se essa informação genética foi passada pela sua avó, ela pode estar circulando no sangue de toda sua família e então se você tem um filho com seu primo que também recebeu o gene defeituoso, o filho de vocês nascerá com a doença. É isso que chamamos de baixa variabilidade genética: cruzamento entre indivíduos geneticamente próximos que não permite muita escolha genética na loteria da vida. E é por isso que cães de raça, que são cruzados entre si, possuem doenças que são comuns em cada raça, porque são passadas para frente cruzando animal com defeito genético com outro animal com o mesmo com defeito genético, nascendo filhotes com esse defeito genético e assim por diante.
  Cães SRD (sem raça definida, conhecidos como vira-latas ou guapecas) por outro lado, possuem uma variabilidade genética alta com diferentes cachorros e seus vários genes diferentes misturados e eles estão sujeitos a seleção natural onde o mais "apto" sobrevive, o que não acontece com os de raça que são criados em seleção artificial (feita por seres humanos e não pela pressão da natureza). Portanto, são mais resistentes e têm uma saúde mais estável, já que se um gene é defeituoso ele tem o outro que não é porque não são todos "iguais". 
Abaixo, confira algumas raças puras de cachorros e a doença que eles podem expressar devido ao cruzamento seletivo:
Foto: Pixabay
 Yorkshire
O colapso traqueal é um problema característico desta raça. A traqueia do animal diminui, o que dificulta a passagem do ar. Podem ocorrer vômitos e problemas cardíacos em decorrência do problema.
Foto: Pixabay
Pastor alemão
Os “raça pura” já são raros no Brasil. Os cruzamentos mudaram a estrutura óssea do quadril, causando displasias coxo-femurais com frequência, isso causa dores ao animal, que pode até não conseguir mais andar.
Foto: Pixabay
Labrador e Golden Retriever         
Por serem raças com estrutura óssea grande e pesada, problemas articulares são comuns. Como acontece com muitos cães grandes, a cabeça do fêmur não se encaixa bem na bacia. O problema, a displasia coxofemoral, prejudica a mobilidade das patas traseiras. Também é comum o desgaste da articulação do cotovelo. A incidência de câncer (neoplasia) também é recorrente.
Foto: Desconhecido
Basset 
Perdeu estatura ficando mais baixo, sofreu alterações em sua estrutura das pernas de trás, tem excesso de pele, problemas de vértebra e orelhas muito grandes 9dificultando a acústica). Estes animais também possuem hoje olhos caídos propensos a desenvolver entrópio, doença em que a pálpebra se vira sobre si mesma contra o globo ocular e ectrópio, um afastamento da margem pálpebra.
Foto: Desconhecido
 Dachshund 
Os cães dessa raça possuem problemas graves nas vértebras que podem resultar em paralisia. Também desenvolvem doenças nas vértebras que pode resultar em paralisia, são propensos a patologias relacionadas Acondroplasia (má formação das cartilagens) e problemas nas pernas.
Foto:
Pinscher
Luxação na rótula do joelho e necrose da cabeça do fêmur são comuns nos cães desta raça. Outras doenças da raça são epilepsia e sarna demodécica, também chamada sarna negra. Esta doença de pele não é transmitida a seres humanos, mas pode debilitar o animal.
Foto: Desconhecido
 Chihuahua
 A pequena estatura está associada à hidrocefalia – o aumento dos fluidos no cérebro. O volume elevado aumenta a pressão no cérebro. Em alguns casos, a pressão pode causar dor, perda das funções cerebrais e morte.
Foto:
Dálmata
 Muita gente não sabe, mas esta é a raça mais atingida por surdez. Até 30% dos dálmatas ficam surdos de um ouvido e 10% de ambos. E dá para prever quem será afetado: quanto maior a extensão da cor branca, maior a probabilidade de perder a audição.

Por isso, termino essa matéria pedindo que se ADOTE animais, e não compre. Há vários cachorros esperando um lar que são ignorados porque não são "de raça", mas que são exatamente como um cão com pedigree, lhe darão amor, gratidão e vão latir igual, mas estarão sendo salvos da rua e da crueldade que encontram diariamente. Se tiver interesse, tem alguns animais para adotar aqui (Curitiba) ou aqui ou em vários abrigos em cada cidade do país.
Se ainda sim você prefere animais de raça, tudo bem, só certifique-se qual a origem do animal, uma vez que vários animais ficam preso em condições deploráveis só reproduzindo para gerar lucro, os chamados "cães-matriz", e você pode estar financiando essa crueldade. Sempre pesquise a origem do animal mesmo comprando em pet store, já que ali você vê só o filhote bonitinhos e não vê nem sabe o estado da mãe que o gerou. E seja responsável: o cão pode ter as doenças mencionadas acima ou outros problemas e precisar de grandes gastos no veterinário, e muitos são abandonados por isso. ABANDONO DE ANIMAL É CRIME, só tenha um se estiver certo do comprometimento, é uma vida e não um souvenir. E CASTRE seu animal, de raça ou não, pois isso diminuí doenças, chances de desenvolver câncer, deixa o animal mais calmo e sem aquele show todo do cio, além de evitar que mais animais venham ao mundo quando já temos tantos em abrigos e na rua esperando um lar.

Fontes:  Dog Behavior Science / Diário de Biologia / Mundo Estranho / Viver Bem Animal
Amigo Não se Compra
Postado por Thalita Morais